Cantarei o que Sinto

Evocando Manuel de Falla (150 anos do nascimento)
Laura Martins soprano
Yuri Marchese guitarra
“Porque todavía no les es permitido a las mujeres escribir lo que sienten y lo que saben” Rosalía de Castro, 1859 “Vai haver mulheres no Parlamento!”
Cândida Pereira, 1934
2026 marca os 50 anos da Constituição que consagrou pela primeira vez a Igualdade. Se a Revolução de 25 de Abril de 1974 rompeu com mais de 40 anos de ditadura, foi necessário esperar dois anos para que fosse votada a Lei Fundamental que garantisse a Liberdade e o respeito pelos Direitos Fundamentais. Finalmente a afirmação proferida por Cândida Pereira em 1934 ganhou forma e vida. A Constituição de 1976 é a primeira Lei Fundamental portuguesa a contar com o contributo ativo das mulheres, pese embora ainda em menor número que os homens. A Lei Fundamental de 1976 trouxe a democracia a uma Península Ibérica onde dominava a violência da ditadura. Os ventos de liberdade que passaram a correr de Portugal para Espanha também terão dado o seu contributo para a queda do franquismo, que, juntamente com o Estado Novo, transformaram durante longas décadas a Península Ibérica num deserto de repressão e morte. Neste âmbito, evocaremos a escritora feminista galega Rosalía de Castro (1837-1885), um dos principais nomes do movimento do Ressurgimento Galego, que ocorreu na 2ª metade do séc. XIX, mas cujo ideário se manteve perfeitamente atual durante a maior parte do séc. XX, quer em Espanha quer em Portugal. Fazemo-lo de forma intimista, partindo do conjunto das “7 canciones populares españolas” adaptadas, em 1914, para voz e guitarra pelo compositor Manuel de Falla. Com este programa convidaremos a uma viagem que percorre as cores, cheiros e emoções de uma identidade comum ao espaço ibérico, cuja herança se manifesta nas mais diferentes formas de expressão artística, sendo dela herdeira, por exemplo, a obra do arquiteto catalão Antoní Gaudí, que em 2026 cumpre o primeiro centenário da morte.