LA VERA COSTANZA
LA VERA COSTANZA, escrita pelo compositor português Jerónimo Francisco de Lima (1743-1822) é mais um título recuperado pelo Laboratório de Ópera Portuguesa. Consiste num dramma giocoso estreado em 1785, no Teatro de Salvaterra, durante a temporada de Carnaval da corte (em 3 actos), e repetido em 1789, no Teatro da Ajuda (em 2 actos). A versão que o LOP recuperou é precisamente a de 1789, em dois actos, apresentada por ocasião do aniversário do Príncipe D. João, futuro Rei D. João VI. O libreto, anónimo, mas atribuído em algumas fontes a Francesco Puttini, e conheceu outras versões musicais na Europa do século XVIII, por Pasquale Anfossi, em 1776, e por Joseph Haydn, em 1779.
O enredo
O Conde Errico – jovem instável, extravagante e caprichoso – que passava uma temporada no seu Castelo de Belforte, na Riviera de Génova, apaixona-se perdidamente por uma belíssima e honesta peixeira, de nome Rosina. Apesar da resistência desta, devido às desigualdades entre eles, casam secretamente com o consentimento de Masino, capitão dos pescadores e irmão de Rosina. Passados apenas dois meses, o Conde abandona-a e cai nas presas dos divertimentos e prazeres fazendo com que, durante cinco anos, não volte a pensar na sua esposa que, entretanto, dera à luz um menino e vivia desolada, em contínuo pranto.
Chegam à Baronesa Irene – tia do Conde, que morava em Génova – notícias do amor deste por Rosina, que só conhecia pelo nome. Temendo que o Conde pudesse um dia vir a casar com Rosina, devido ao seu carácter extravagante, a Baronesa e o Marquês Ernesto, seu amante, decidem fazer com que Rosina case com Villotto, um camponês riquíssimo, mas tolo. Assim, partem os três do Porto de Génova num navio de carga, numa temporada em que o Conde se encontrava no Castelo de Belforte. Já próximos do seu destino, surge uma fortíssima tempestade que os obriga a desembarcar na costa onde se encontravam Rosina, Masino – seu irmão – e outros pescadores. Aqui tem início a acção do drama.
O empenho da Baronesa e de Ernesto; a surpresa, a aflição e o pânico de Rosina; as extravagâncias do Conde; o amor de Villotto; a confusão de Masino; os sentimentos de Lisetta que a levam a apoiar Rosina e, finalmente, o encontro do pequeno filho de Rosina com o Conde, seu pai, criam o enredo deste drama cómico.
A escolha desta obra, prendeu-se com o facto da edição crítica das fontes originais da obra terem sido alvo de uma tese de mestrado de um jovem investigador, Diogo Gaio Chaves, membro do CESEM – Centro de Estudos em Música (NOVA-FCSH), cumprindo, desta forma, com o repto do LOP de incentivar e promover novas gerações de investigadores.
Diogo Gaio Chaves
Investigador responsável pela recuperação histórica
Diogo Gaio Chaves (1997) – natural de Castelo de Vide – começou os estudos musicais na Banda União Artística, tendo concluído o Curso Básico de Trompete na Escola de Artes do Norte Alentejano – com Adriano Franco e João César – e o Curso Secundário de Composição na Escola de Música do Conservatório Nacional – com Daniel Schvetz.
É licenciado em Relações Internacionais pelo ISCSP/ULisboa e pós-graduado em Estética e Estudos Artísticos – Artes e Ciências Musicais pela FCSH/NOVA. Concluiu o mestrado em Ciências Musicais – Musicologia Histórica com o projecto “Análise, Edição Prática e Proposta de Encenação de Ópera Portuguesa do Século XVIII: La Vera Costanza – Dramma Giocoso de Jerónimo Francisco de Lima (1785 e 1789)” – sob a orientação de João Pedro Cachopo – e estuda Canto na EMCN com Manuela de Sá, tendo estudado com António Wagner Diniz de 2019 a 2022.
Contribuiu para o livro de Eva Rieger “Isolde. Richard Wagners Tochter: Eine unversöhnliche Familiengeschichte” com a recolha e tradução de informação sobre a estreia de Der Ring des Nibelungen, de Wagner, no Teatro de São Carlos em 1909. Assistiu ao Atelier de Criação da Academia de Ópera On-Line da Fundação Clóvis Salgado e do Palácio das Artes, sob a curadoria de Gabriel Rhein-Schirato e Lívia Sabag.
É barítono no Nova Era Vocal Ensemble. Na EMCN foi parte do coro “Musaico”; do ensemble de música antiga “L’Heure du Thé” e de vários duos de canção. É parte do Atelier de Ópera desde 2021 onde representou diversos papéis.
Como solista, cantou Sing unto the Lord, de Purcell; Magnificat, de Durante; Dextera Domini e Missa em Lá Maior, de Franck, e Missa in Tempore Belli, de Haydn. Foi Coordenador Artístico da Magna Tuna ApocalISCSPiana, responsável por transcrições para o CD Os 25 Viraram 30. É professor de História da Cultura e das Artes no Conservatório Regional do Alto Alentejo e na Escola de Artes do Norte Alentejano.
Conferências
No âmbito do projeto A Voz do Mar – La Vera Costanza, o LOP promove um ciclo de conferências dedicado a duas vertentes complementares: “O Rei D. Luís I e as Artes” e “Mar, um desígnio de futuro”.
Este ciclo pretende estimular a reflexão sobre o contexto musical e artístico, nacional e europeu, do tempo de D. Luís I, evidenciando o seu papel na promoção das artes, bem como promover o debate contemporâneo sobre o mar enquanto eixo estratégico para o futuro científico, cultural e económico do país.
Conferências I
Rei D. Luís I e as Artes
1 e 2 de Outubro 2026
Centro Cultural de Cascais
Curadoria:
Jenny Silvestre
Comissão Científica:
Professora Emérita Isabel Pires de Lima
Professora Doutora Luísa Cymbron
Professora Doutora Luísa Soares de Oliveira
Professor Doutor Paulo Jorge Fernandes

Conferências II
Mar, um desígnio de futuro
16 e 17 de Outubro 2026
Centro Cultural de Cascais
Curadoria:
Jenny Silvestre
Comissão Científica:
Professor Emérito Luís Reto
Professora Doutora Ana Paula Menino
Almirante Silva Carreira

Projetos Educativos
Projeto Sénior
No âmbito de A Voz do Mar – La Vera Costanza, o LOP desenvolverá um projeto sénior em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Cascais, promovendo a integração e o envolvimento ativo de pessoas afastadas da vida profissional.
Com início em maio de 2026 e periodicidade quinzenal, as sessões decorrerão nos centros de dia da instituição, incluindo o Centro Engenheiro Álvaro de Sousa (Estoril). Através da partilha de memórias ligadas ao mar e à identidade de Cascais — entre tradição piscatória e vivência cosmopolita — o projeto valorizará o património humano e afetivo da comunidade.
A iniciativa culminará a 2 de outubro, com a presença dos participantes no ensaio geral da ópera no Casino do Estoril, seguida de um momento de convívio com os corpos artísticos e técnicos.

do Museu do Mar Rei D. Carlos
Projetos Educativos
Projeto Junior
A escolha da ópera La Vera Costanza, de Jerónimo Francisco de Lima, assenta na visão estratégica que o seu enredo é capaz de criar pontes entre passado e presente, arte e comunidade, património e cidadania.
Inspirado na ideia “A Voz do Mar”, evocando Vergílio Ferreira, este projeto coloca o Oceano no centro da reflexão artística e pedagógica. Em plena Década do Oceano, torna-se essencial promover junto dos jovens uma consciência ativa sobre a relação entre as nossas ações quotidianas e a sustentabilidade marinha, bem como sobre o impacto do oceano na economia, na cultura, na saúde, no ambiente e na identidade coletiva.
ESCOLAS EM CASCAIS
Entre abril e junho de 2026 será desenvolvido um projeto educativo dirigido a três turmas de escolas do interior do concelho de Cascais.
Partindo do enredo cómico da obra — que explora diferenças sociais entre aristocratas e peixeiros na segunda metade do século XVIII — os alunos serão desafiados a refletir sobre a sociedade de ontem e de hoje, tomando o Mar como eixo central de identidade, memória e futuro. Inspirado na frase de Vergílio Ferreira, “Da minha língua vê-se o mar”, o projeto promoverá debates e atividades criativas sobre identidade cultural, território, tradição e sustentabilidade.
O trabalho será desenvolvido em articulação com o Departamento Educativo da Fundação D. Luís I, através de workshops quinzenais realizados nas próprias escolas.
O projeto culminará a 2 de outubro de 2026 com a apresentação pública de uma exposição de trabalhos dos alunos e a participação no ensaio geral do espetáculo, seguida de um momento de convívio com os corpos artísticos e técnicos.
CASA PIA DE LISBOA
Envolvendo alunos de vários Centros de Educação e Desenvolvimento num percurso artístico multidisciplinar, ao longo do ano letivo, os alunos dos cursos de Teatro, Design de Moda, Estética, Cabeleireiro, Pintura e Decorador de Cerâmica e Restauração/Pastelaria participarão em workshops quinzenais orientados pelo Diretor de Arte Nuno Esteves e por uma equipa de especialistas. O trabalho terá como eixo temático o Mar, explorado nas vertentes criativa, histórica e estética, promovendo o contacto com diferentes áreas profissionais ligadas à produção artística.
O projeto culminará, no final de maio de 2026, com uma exposição performativa em Lisboa, apresentando publicamente o trabalho desenvolvido pelos alunos, iniciativa que será posteriormente replicada em outubro, no âmbito da estreia moderna da ópera La Vera Costanza.
Territórios com Ópera
Vila de Cascais
Encontrada a temática e a inspiração, o LOP partiu rumo à seleção da âncora territorial do seu 3º título, naturalmente ligada ao mar. Tratando-se Portugal de um país eminentemente atlântico, com uma costa que percorre o território de norte a sul, com duas regiões autónomas, a seleção do território concreto de implantação territorial do projeto A VOZ DO MAR – LA VERA COSTANZA assumiu uma importância nevrálgica. A escolha recaiu na vila de Cascais.
Imagem de fundo:
D. Carlos de Bragança, Baía de Cascais,
aguarela sobre papel, 1885, Museu Nacional de Arte Antiga
O LOP E A FUNDAÇÃO D. LUÍS I
No âmbito das comemorações dos 30 anos da Fundação D. Luís I, o projeto A Voz do Mar – La Vera Costanza propõe uma reflexão sobre identidade, herança cultural e ligação ao mar.
Evocando a figura de D. Luís I — monarca profundamente ligado ao oceano, às artes e à ciência, e impulsionador do interesse marítimo que marcaria também D. Carlos — o LOP presta homenagem a essa visão humanista e transversal através da estreia moderna de uma ópera portuguesa do século XVIII.
Mais do que um espetáculo, o projeto afirma-se como um espaço de encontro entre cultura, memória e pensamento crítico, colocando a identidade coletiva e o mar no centro da criação artística e do envolvimento comunitário.
Parceiros do projeto
‘a Voz do mar – La Vera Costanza’
